São Pedro Celestino V, Papa

São Pedro Celestino V, nascido Pietro Angelerio (ou Pietro del Morrone), veio ao mundo por volta de 1215, em Isernia, no Reino de Nápoles, atual Itália. Sua vida é um testemunho singular de humildade, penitência e desapego ao poder. A Igreja celebra sua memória em 19 de maio.
Origem e vocação
Pedro nasceu em uma família simples e numerosa. Desde cedo demonstrou inclinação para a oração, o silêncio e a vida austera. Após sua formação inicial, ingressou na vida monástica beneditina, mas sentia-se chamado a algo ainda mais radical: a solidão contemplativa.
Retirou-se então para o Monte Morrone e depois para outras regiões montanhosas da Itália, vivendo como eremita. Sua fama de santidade espalhou-se rapidamente, atraindo discípulos desejosos de seguir seu estilo de vida penitente.
Desse movimento nasceu uma congregação religiosa ligada à Regra de São Bento, conhecida posteriormente como Celestinos, marcada por rigor ascético, pobreza e intensa vida de oração.
Eleição surpreendente ao papado
Após a morte do Papa Nicolau IV, a Igreja viveu um longo período sem conseguir eleger um novo pontífice. O conclave permaneceu paralisado por mais de dois anos devido a disputas políticas entre cardeais.
Pedro, já idoso e conhecido por sua santidade, escreveu uma carta aos cardeais exortando-os a não retardarem mais a eleição. Paradoxalmente, sua autoridade moral impressionou tanto os eleitores que ele próprio foi escolhido Papa em 1294, tomando o nome de Celestino V.
Foi coroado na cidade de L’Aquila, num acontecimento extraordinário. Durante seu breve pontificado, instituiu a famosa Perdonanza Celestiniana, um jubileu de indulgência plenária concedido aos peregrinos arrependidos — tradição considerada precursora dos Jubileus posteriores da Igreja.
A renúncia
São Pedro Celestino V não possuía perfil administrativo nem experiência para governar a complexa estrutura eclesial e política da época. Homem de oração e contemplação, sofreu profundamente com as pressões da Cúria Romana.
Após apenas cerca de cinco meses de pontificado, tomou uma decisão histórica: renunciou livremente ao papado em dezembro de 1294, gesto raríssimo na história da Igreja e retomado séculos depois por Papa Bento XVI.
Sua renúncia foi motivada não por fraqueza, mas por discernimento: compreendeu que servir melhor a Deus significava voltar ao recolhimento e deixar a condução da Igreja a alguém mais apto.
Últimos anos e morte
Após deixar o papado, desejou retornar à vida eremítica. Contudo, por razões políticas e receio de manipulações, seu sucessor, Bonifácio VIII, manteve-o sob custódia.
Pedro passou os últimos meses em oração, penitência e abandono confiante à vontade divina. Morreu em 19 de maio de 1296, na fortaleza de Fumone, Itália.
Foi canonizado em 1313 pelo Papa Clemente V.
Espiritualidade e legado
São Pedro Celestino V recorda à Igreja que a verdadeira grandeza não está no poder, mas na fidelidade à própria vocação. Sua vida ensina:
amor ao silêncio e à contemplação;
coragem para discernir e renunciar quando necessário;
humildade diante das próprias limitações;
prioridade absoluta de Deus sobre honras humanas.
Sua figura permanece especialmente atual num mundo marcado pela busca de prestígio e visibilidade.
Oração
Ó Deus, que concedestes a São Pedro Celestino V a graça de preferir os tesouros celestes às honras terrenas, concedei-nos, por sua intercessão, buscar sempre a vossa vontade acima de todas as coisas. Amém.
São Pedro Celestino V, rogai por nós!

